Professores
temporários têm resultado ruim em
prova seletiva de atribuição de
aulas do Estado
Quase metade dos 182 mil professores foi reprovada
A atribuição de aulas do Governo
do Estado termina hoje (12). Mais uma vez ela
é motivo de confusão. Os professores
temporários tiveram que fazer uma prova
para participar desse processo. Quase metade foi
reprovada. Em São José dos Campos,
profissionais com anos de experiência não
foram aprovados nesse exame.
Como
qualquer pai, Daniel Fernandes, pesquisador, quer
o melhor para a educação da filha.
“Tem que ser a nata, assim como o melhor
aluno, tem que ter o melhor professor”.
Agora
é para valer, todo professor temporário
têm que passar por uma prova seletiva, mesmo
aqueles com mais de 20 anos de profissão.
No teste aplicado, em dezembro do ano passado,
o resultado assustou! Dos quase 182 mil professores
avaliados só 93.804, foram aprovados. O
restante não acertou nem 50% da prova.
É
o caso do João Negri que leciona matemática
há 26 anos. “No ano anterior, foi
feita a prova e eu fiquei em primeiro lugar, esse
ano eu consegui só 25 acertos. Na minha
opinião, foi uma prova extensa e confusa”,
reclama o professor.
Josi
dos Santos também reclama do conteúdo
da prova. A professora de matemática foi
reprovada no teste. “Foi uma bibliografia
de concurso praticamente, para a gente estudar
em pouquíssimo tempo, sendo que nós
estávamos em sala de aula”, diz a
professora de matemática.
Um
grupo de pedagogia da Unitau avaliou a prova aplicada
pelo estado, achou o conteúdo correto e
a prova bem feita com questões de níveis
diferentes. No teste de língua portuguesa,
por exemplo, há perguntas sobre a proposta
curricular do estado até questões
mais complexas como o conteúdo de pensadores,
um dos citados foi o linguista inglês Fairclough,
fundamental para a metodologia de ensino atual.
“Se
o professor não estuda a teoria, ele não
sabe mudar sua prática. Então, a
gente vai continuar dando as mesmas aulas e cometendo
os mesmos erros se a gente não mudar, não
estudar”, explica a professora de didática
Eveline de Oliveira.
Laura
Firmino, passou nas provas das três disciplinas
em que atua, incluindo a de Língua Portuguesa.
Estudou seis meses antes da avaliação.
“A prova estava bem elaborada, muito objetiva,
porém, muito extensa”, afirma a professora
de português.
A
prova aplicada aos professores faz parte de um
processo de reformulação da educação
na rede pública. Já é uma
prática adotada em outros países
e deve ser encarada como uma tendência a
partir de agora. Mas com esse resultado de tantas
reprovações, de quem é a
culpa? Dos professores ou do estado? Segundo especialistas,
dos dois.
O
problema é que, desta vez, a prova é
usada como processo seletivo, inclusive para professores
já antigos, e não como um termômetro
para ajudá-los a melhorar, a evoluir. “Uma
prova deveria servir para promover o desenvolvimento
profissional dos professores, ou seja, identificar
quais são as dificuldades, suas necessidades,
para que isso seja oferecido, e não apenas
ser classificado para poder dar aula ou não”
conclui a coordenadora pedagógica Neusa
Ambroseti.
A
prova foi elaborada pela Fundação
Vunesp, instituição reconhecida
por elaborar provas de vestibular e de concursos
em todo país. A Secretaria de Estado da
Educação informou que se os professores
não passaram nesse exame, é porque
não estão familiarizados com o conteúdo
dado na própria sala de aula.
Fonte:
Vnews
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