Lei
que determina a contratação de aprendizes
pelas empresas ainda é pouco conhecida
Roberta
Lopes
Repórter da Agência Brasil
Brasília - O Brasil precisa melhorar o
cumprimento da Lei de Aprendizagem, regulamentada
em 2005, para atingir a meta de 800 mil aprendizes
contratados até o fim do ano, afirmou à
Agência Brasil a representante da organização
não governamental (ONG) Atletas pela Cidadania,
Fabiana Curici.
Fabiana lembrou que lei, sancionada em 2000, só
foi regulamentada cinco anos depois. Desde então,
foram contratados 170 mil aprendizes.
Ela
disse que as empresas ainda estão num processo
de conhecimento da lei e que, por isso, há
um número tão baixo de contratações.
Para ela, a lei precisa ser mais divulgada. "Também
a fiscalização é importante,
não só para autuar as empresas,
mas para que a lei seja bem executada e tenhamos
jovens realmente se qualificando, estudando e
com potencial de crescimento na vida deles”,
acrescentou.
O
secretário executivo do Ministério
do Trabalho, André Figueiredo, informou
que várias ações têm
sido promovidas para conscientizar as empresas
da existência da lei e também da
obrigatoriedade de contratação de
aprendizes. Segundo Figueiredo, hoje há
um estoque de cerca de 290 mil aprendizes já
formados e cerca de 170 mil contratados pelas
empresas.
Ele
admitiu que o número está aquém
da meta de 800 mil jovens aprendizes formados
em cursos até o final deste ano. De acordo
com Figueiredo, isso se explica pela dificuldade
das empresas contratarem esses jovens. “
Na maioria das vezes, há o desconhecimento
da lei e da obrigatoriedade da contratação.
O grande elemento dificultador, se é que
existe, é a inexistência de cursos”,
ressaltou.
Figueiredo
disse que a reclamação da falta
de cursos vem de empresas situadas em locais distantes
dos grandes centros. Para resolver a questão,
o Ministério do Trabalho já fez
o cadastro de todas as entidades que podem oferecer
cursos de aprendizagem. Conforme dados do ministério,
há 1.213 entidades cadastradas em todo
o país que podem ministrar tais cursos.
“Não
queremos inserir aprendizes só para atingir
um número que nos satisfaça em termos
quantitativos. Queremos que os aprendizes sejam
inseridos, mas que possam adquirir conhecimento
e que, depois desse período de aprendizagem,
tenham inserção definitiva no mercado
de trabalho”, comentou.
A
Lei da Aprendizagem estabelece que todas as empresas
de médio e grande portes são obrigadas
a contratar adolescentes e jovens entre 14 e 24
anos. O contrato é de no máximo
dois anos. Os jovens contratados pelas empresas
têm de estar matriculados em cursos de aprendizagem
em instituições reconhecidas pelo
Ministério do Trabalho.
Segundo
a lei, o número de aprendizes que as empresas
devem contratar varia de 5% a 15%, de acordo com
o número de empregados em funções
que demandem formação profissional.
O empregador poderá contratar o número
de aprendizes mais adequado a sua empresa, desde
que respeite o mínimo estabelecido por
lei.
Edição: Nádia Franco
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