Juiz
multa pais por adolescente entrar com celular
em aula
Direto de Araçatuba
A Justiça de Fernandópolis, interior
de São Paulo, multou a família de
uma estudante que insistia entrar na sala de aula
com telefone celular. A decisão do juiz
da Infância e Juventude Evandro Pelarin
obriga os pais da adolescente de 16 anos, aluna
da escola estadual Joaquim Antônio Pereira,
a pagar multa de pouco mais de R$ 1 mil pela desobediência
da filha.
"A
multa foi aplicada porque os pais não exerceram
o pátrio-poder e deixaram que a filha desobedecesse
por duas vezes uma lei estadual que proíbe
a entrada de telefone celular nas salas de aulas",
diz Pelarin. Ele afirma que o pedido de multa
partiu do Conselho Tutelar de Fernandópolis
que optou punir a garota por comportamento inadequado,
entre eles, o de insistir em entrar na sala de
aula com o celular ligado.
"Os
pais foram chamados duas vezes, na primeira receberam
advertência e na segunda, as conselheiras
confiscaram o celular e nos enviaram pedido de
aplicar multa nos responsáveis pela adolescente
por não cumprirem o pátrio-poder",
afirma o juiz. Pelarin diz que o pátrio-poder
é dever dos pais e seu não cumprimento
é previsto como crime no Estatuto da Criança
e do Adolescente a ser punido com aplicação
de multa de três salários-referência
(aproximadamente R$ 1 mil).
Segundo
Pelarin, durante o processo, os pais da garota
foram chamados para depor. "O que nos chamou
a atenção foi que a mãe disse
que a filha não fazia, mas só atendia
as ligações em salas de aulas",
diz.
Na
sua sentença, Pelarin comentou as críticas
do Ministério Público, que não
aceitou a aplicação da multa. Na
sua manifestação, o promotor da
Infância e da Juventude, Dênis Silva,
diz que, ao aplicar a multa, a Justiça
estaria tentando moldar o comportamento dos adolescentes
e que houve falha do Conselho Tutelar, que não
teria ouvido os pais da estudante.
"Eu
rebati porque houve processo em que os pais foram
ouvidos e a adolescente ainda não tem capacidade
de se estabelecer juridicamente para tomar atitudes
de adulto; além disso, a adolescente cometeu
ilegalidade ao não respeitar uma lei estadual
e os pais não evitaram que isso acontecesse
por duas vezes", afirma Pelarin. Silva não
foi localizado para comentar o assunto. Segundo
secretária, ele só volta a trabalhar
depois do Carnaval.
A
sentença de Pelarin, determinada na quinta-feira,
deve ser comunidade oficialmente aos pais na semana
que vem, mas a mãe da menina, ouvida pela
imprensa, diz não ter condições
financeiras para arcar com a multa e que não
tem mais como controlar a filha. Segundo Pelarin,
se a família não tem recursos para
pagar a multa, terá bens penhorados.
Fonte:
Terra
Aprecie,
opine e participe, escreva e mande para: comunicacao@aproesp.com.br