Jovem
aponta falta de interesse político no combate
à exploração sexual de crianças
Uma
jovem colombiana emocionou o público que
participou ontem do 3º Congresso Mundial
de Enfrentamento à Exploração
Sexual de Crianças e Adolescentes, que
acontece no Rio de Janeiro.
Diante
de ministros, como a brasileira Dilma Roussef,
e Alan Campbel, do Reino Unido, Mariela Mercado,
18 anos, falou enfaticamente sobre a necessidade
de os jovens serem ouvidos quando o assunto é
exploração sexual infantil.
“Isso
interfere diretamente em nossas vidas, nossa opinião
e nossas sugestões devem ser respeitadas”,
disse durante o discurso que foi aplaudido de
pé.
Em
entrevista à Agência Brasil, ela
contou que faz parte, na Colômbia, das organizações
World Vision e Movimento Nacional de Meninos,
Meninas e Jovens. Esta última oferece cursos
sobre direitos humanos, ética, cidadania
e capacitação para pais de crianças
em situação de vulnerabilidade social.
“Ensinamos valores, boas práticas,
como respeitar ao próximo mesmo sendo competitivo”,
relatou Mariela.
Segundo
ela, a exploração sexual na Colômbia
está ligada à pobreza. As crianças
são seduzidas por pessoas que oferecem
roupas e celulares que elas e seus pais não
podem comprar. “São formas de ganhar
as crianças e adolescentes que não
têm condições econômicas
para comprar uma roupa bonita”, explica.
Para
Mariela, o problema não está ligado
a lacunas legislativas, e sim, à falta
de interesse político por parte do governo.
“Nossa constituição é
uma carta com muitos artigos e está completa.
Mas nossas leis estão completas somente
no papel, porque a integralidade do texto constitucional
não se reflete na realidade”.
Cursando
o segundo ano de Direito, ela conta que no país
existe um Código da Infância e da
Adolescência para proteger os meninos e
meninas. “Apesar de existirem tantas leis
para proteger as crianças, há muitas
delas que são vítimas de violência
sexual e intra-familiar”, lamenta a filha
de professores que mora numa pequena cidade campesina,
no norte do país.
Além
de atuar na Colômbia, a organização
não-governamental World Vision, trabalha
com crianças em situações
de risco em lugares como Camboja, Tailândia
e República Dominicana.
Fonte:
Agência Brasil
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