Especializações
tops perdem aval do Ministério da Educação
FÁBIO TAKAHASHI
da Folha de S.Paulo
O
Conselho Nacional de Educação determinou
na quarta-feira (27) que especializações
dadas por entidades não educacionais, como
hospitais e fundações, não
poderão mais emitir diplomas com reconhecimento
do Ministério da Educação.
A
medida atinge cursos como os da FIA, da Fipecafi
e da Fipe (cujos MBAs estão entre os mais
caros do país); dos hospitais Albert Einstein
e Sírio Libanês; do Tribunal Regional
Federal (SP); e da Escola Paulista de Magistratura.
No total, são 138 instituições
afetadas.
A
decisão precisa ser homologada pelo ministro
Fernando Haddad (Educação). As entidades
afirmam que irão recorrer.
Segundo
o conselho de educação, as instituições
podem continuar oferecendo os cursos. Os diplomas,
porém, não serão mais reconhecidos
pelo MEC --chancela que servia de chamariz para
os cursos, que chegam a custar cerca de R$ 20
mil (caso do MBA da Fipe).
Passarão
a funcionar como cursos livres, semelhantes aos
de idioma, em que é emitido um certificado,
mas não reconhecido pelo ministério.
O órgão que normatiza a educação
nacional considerou basicamente a legislação
para tomar a medida, não a qualidade dos
cursos dessas entidades.
"A
Lei de Diretrizes e Bases é clara. Apenas
entidades de ensino podem expedir diplomas acadêmicos.
Formação profissional é outra
coisa", disse Edson Nunes, membro do órgão
e professor da Universidade Candido Mendes (RJ).
Recurso
A
Funasp (entidade que representa fundações
como FIA, Fipe e Fipecafi) diz que o parecer foi
aprovado para beneficiar faculdades privadas.
Como são entidades educacionais, os diplomas
das particulares continuarão sendo reconhecidos
pelo MEC, caso a norma seja confirmada pelo ministro.
Assim,
reclama a entidade, o reconhecimento do diploma
passará a ser um diferencial no mercado
de cursos de especializações. Ela
diz que recorrerá no próprio conselho,
ao ministro e, se necessário, à
Justiça.
O
parecer foi aprovado inicialmente no ano passado.
Ao chegar a Haddad, ele pediu que a questão
fosse reexaminada pelo conselho, o que foi feito
ontem --foram 11 votos a favor do parecer e uma
abstenção.
Calendário
As
autorizações para entidades não
educacionais concederem diplomas reconhecidos
pelo MEC vêm sendo concedidas há
mais de 30 anos. O conselho afirma que a ideia
inicial era liberar cursos para instituições
de "excepcional excelência". Devido
ao volume de pedidos, defende o órgão,
a característica foi desvirtuada.
O
fim do chamado credenciamento especial dependerá
do período de autorização
que cada entidade recebeu. Algumas, cujas licenças
já estão expiradas, não poderão
expedir diplomas para novos alunos.
Segundo
Nunes, cerca de metade das autorizações
vence neste ano; outras vão até
2013, ano em que nenhuma entidade não educacional
poderá mais conceder o diploma.
Fonte:
Folha
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