Estudantes
com deficiência passam a contar com mais
recursos
O decreto 6.571/08, que reestrutura a educação
especial, foi apresentado nesta quinta-feira,
18, pelo ministro da Educação, Fernando
Haddad. O documento consolida diretrizes e ações
já existentes, voltadas à educação
inclusiva, e destina recursos do Fundo da Educação
Básica (Fundeb) ao atendimento de necessidades
específicas do segmento. O objetivo é
dar apoio complementar à formação
de alunos com deficiência.
As
escolas públicas de ensino regular que
oferecem atendimento educacional especializado
no contraturno das aulas terão financiamento
do Fundeb a partir de 2010. A matrícula
de cada aluno da educação especial
em escolas públicas regulares será
computada em dobro, com base no censo escolar
de 2009, aumentando o valor per capita repassado
à instituição. Isso vai possibilitar
o investimento na formação continuada
de professores, na implantação de
salas de recursos multifuncionais e na reformulação
do espaço físico.
Segundo
o ministro Fernando Haddad, 97% das crianças
de seis a 14 anos estão na escola, mas
o MEC tem buscado os 3% que não estão.
Nesse universo estão muitas crianças
com deficiência, com transtornos globais
do desenvolvimento e com altas habilidades ou
superdotação. “Se quisermos
atingir os 100%, temos que tratar indivíduo
a indivíduo, para que todas as pessoas
tenham acesso à educação
de qualidade”, enfatizou.
Uma
dessas crianças era Davi Souza, estudante
da rede estadual de Fortaleza. Hoje, o garoto
cursa a sétima série do ensino fundamental,
mas ele mesmo conta que foi difícil ingressar
na escola por causa da discriminação
pela deficiência. “Minha mãe
tentava me matricular, mas as escolas não
me aceitavam. A grande dificuldade das pessoas
é não ter informação.
Não é um favor que as escolas fazem
ao receber alunos com deficiência, mas uma
obrigação, um dever. É lei”,
destacou.
“O
Davi é a razão da nossa luta e desse
decreto”, exemplificou o ministro. Para
ele, a tarefa de implementar as políticas
públicas para a educação
especial exige muito apoio da comunidade e sinergia
de ações. Portanto, segundo Haddad,
o documento serve de guia tanto para os gestores
quanto para a sociedade.
A
Lei de Diretrizes e Bases da Educação
determina que o poder público amplie o
atendimento aos estudantes com necessidades especiais
na própria rede pública regular
de ensino, preferencialmente. A Política
Nacional de Educação Especial na
Perspectiva da Educação Inclusiva/2008
propõe a mudança de valores, atitudes
e práticas educacionais para atender a
todos os estudantes, sem nenhum tipo de discriminação,
assegurando uma educação de qualidade.
Dados
do censo escolar mostram que o Brasil tem conseguido
reverter quadros históricos de exclusão
educacional. Em 1998, havia 337.326 alunos da
educação especial matriculados em
6.557 escolas. Em 2007, o número saltou
para 654.606 estudantes, em 62.195 escolas, sendo
que 63% das matrículas são na rede
pública. O número de alunos nas
classes comuns do ensino regular passou de 43.923,
em 1998, para 306.136 em 2007. Destes, 83.117
recebem atendimento educacional especializado.
Conheça
os programas
e ações que promovem a universalização
da acessibilidade
Letícia
Tancredi