Secretário
de Educação critica burocracia na
Prefeitura de SP
FÁBIO TAKAHASHI
EVANDRO SPINELLI
da Folha de S.Paulo
O
secretário municipal de Educação,
Alexandre Schneider, disse na quinta-feira (28)
que há "burocracia e controles inúteis"
em procedimentos da prefeitura.
Ele
reclamou, em mensagens no Twitter, da demora para
conseguir nomear professores já aprovados
em concurso. O procedimento, diz, precisa passar
por quatro secretarias. A nomeação
é um procedimento necessário para
que os servidores possam trabalhar.
Schneider
assumiu a pasta na gestão José Serra
(PSDB) e permaneceu com Gilberto Kassab (DEM).
A assessoria direta do prefeito não quis
se manifestar sobre as declarações.
Uma
das frases dele foi: "Quando me deparo com
burocracia e controles inúteis, lembro
da frase de um professor, M.Tratemberg [Maurício
Tragtenberg]: O camelo é um cavalo desenhado
por uma comissão."
À
Folha Schneider afirmou que a contratação
de um professor pode demorar mais de um ano, do
momento que a secretaria decide fazer o concurso
até que o docente efetivamente comece a
lecionar.
Hoje,
há 3.400 professores de ensino fundamental
à espera da nomeação (no
total, são 8.000 nessa etapa). Após
esse procedimento, ainda leva quase três
meses para que todos estejam trabalhando, pois
há outros passos obrigatórios, como
entrega de documentação e exames
médicos. O ano letivo começa no
próximo mês.
"Para
os alunos, atrapalha um pouco. O ano começa
com os professores contratados, espécie
de temporários. Eles são trocados
conforme os concursados vão sendo liberados."
"É
dramático passar todos os anos por essa
burocracia para colocar um professor na sala de
aula, principalmente porque aumentamos a rede
em 25%. Fiz um desabafo no Twitter", acrescentou
o secretário.
Além
de professores, também estão à
espera da nomeação diretores de
escolas e supervisores de ensino.
A
demora para o início do trabalho dos servidores
ocorre, diz o secretário, porque o pedido
de abertura de concurso precisa passar, primeiro,
pelas secretarias de Gestão, Planejamento,
Finanças e Governo.
Depois,
passa por um conselho, formado pelas quatro pastas
e a de Negócios Jurídicos, antes
de chegar ao prefeito. A primeira etapa dura três
meses.
Em
seguida, é preciso fazer o edital para
o concurso, que leva outros três meses.
Até a seleção terminar, são
mais quatro meses. Selecionados os servidores,
é necessária mais uma rodada de
autorizações nas quatro pastas.
Nomeados os funcionários, vêm procedimentos
adicionais, como os exames médicos.
"É
um procedimento ultrapassado", reclama Schneider.
A situação melhoraria, diz, se houvesse
uma autorização automática
para nomear os servidores assim que o concurso
estivesse finalizado.
Fonte:
Folha
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