Cai
liminar sobre escolha de professor de São
Paulo
FÁBIO TAKAHASHI
MÁRCIO PINHO
da Folha de S.Paulo
O
governo de SP conseguiu ontem reverter decisão
judicial referente ao processo de distribuição
de aulas para professores temporários da
rede. Terá prioridade agora quem alcançou
nota melhor no exame aplicado no final do ano
passado.
Decisão
judicial provisória (liminar) até
então previa preferência a temporários
que já estavam no sistema, ainda que tivessem
notas menores na avaliação, conforme
a Folha informou na edição de ontem.
Quem
está atrás na fila tem pouca opção
para escolher sua escola e pode até ficar
sem aula.
O
impasse causou confusão e protestos de
docentes em postos onde era feita a atribuição
de aulas. No Campo Belo (zona sul), a distribuição
foi suspensa ontem e volta só na quarta.
No Jardim Mutinga (zona norte), o processo avançaria
na madrugada de hoje.
Esta
é a etapa final de distribuição
de aulas. O processo principal acabou ontem, mas
pode haver ajustes na semana que vem. Entre 20
e 25 mil temporários (sem estabilidade
ou novatos, que suprem o deficit de concursados)
estão sendo selecionados. A rede possui
cerca de 200 mil professores.
A
gestão Serra (PSDB) diz que o início
do ano letivo se mantém para a próxima
quinta.
O
governo dizia que haveria atraso se não
conseguisse reverter a decisão judicial,
pois o processo começou com a lógica
de privilegiar as notas (a atribuição
se iniciou na segunda, e a liminar foi concedida
na terça).
A
primeira decisão judicial, de primeira
instância, foi concedida a pedido da Apeoesp
(sindicato dos professores).
A
entidade, ligada à CUT e ao PT, defende
que os professores que já estavam na rede
deveriam ter preferência, devido à
experiência no magistério.
Alegou
ainda que a prova priorizou a parte teórica,
o que beneficiou recém-formados e prejudicou
quem já trabalhava e não teve tempo
para estudar.
Já
o governo Serra, que recorreu ao Tribunal de Justiça,
afirma que os docentes mais bem avaliados no exame
devem ter preferência, independentemente
se estavam na rede.
A
Secretaria de Educação disse que
o tempo na rede rendeu até 20% de bônus
ao docente.
Dúvida
legal
Além
de divergência com relação
à prioridade de escolha das aulas, a Apeoesp
criticou a instrução dada anteontem
pelo secretário da Educação,
Paulo Renato Souza, aos dirigentes de ensino.
Apesar de a liminar ainda estar em vigor, Paulo
Renato disse por e-mail para que mantivessem a
lógica inicial.
Para
o sindicato, houve descumprimento legal. Já
o governo diz que a instrução foi
dada porque, no momento, não havia como
mudar a atribuição da aulas, pois
o sistema de informática ainda não
havia gerado novas listas (que estariam em andamento).
Além disso, contava com a queda da liminar.
"Ninguém
pode trabalhar com o que a Justiça ainda
vá decidir", diz o docente da USP
de direito processual, José Rogério
Cruz e Tucci. "Mas se a alegação
do governo for verdadeira, é uma ponderação
pertinente."
Fonte:
Folha
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